Metodologias vs Talento

confusaoRecentemente recebi um artigo escrito por Joel Spolsky entitulado “Big Macs vs. The Naked Chef” que, embora seja um texto de divulgação de sua própria empresa, traz algumas idéias interessantes. O talento individual é apresentado em contraposição à necessidade do uso de metodologias. Não concordo com a visão proposta de que o talento individual permita dispensar o uso do método. Isso pode funcionar para indivíduos ou pequenas equipes trabalhando em projetos de baixa complexidade. Porém, quando os projetos ganham escala, a única forma de manter o controle e garantir as entregas é utilizar ostensivamente ferramentas e métodos que organizem o fluxo do trabalho.

É justamente aí que as metodologias e guias de boas práticas têm seu lugar,  ajudando a padronizar os fluxos e a organizar os projetos. Eles são a compilação de experiências que se mostraram eficazes em diversas empresas no decorrer do tempo. No entanto, o balanceamento de seu uso frente à perda de produtividade é um problema que persegue acadêmicos e executivos. É bastante comum aplicá-las de uma forma que acaba engessando a estrutura e causando sua ineficiência. O PMBoK, o CMMI, o ITIL e tantos outros conjuntos de práticas/normas com certeza são muito ricos e completos, porém devem ser tomados os devidos cuidados para que o remédio não mate o paciente.

O grande desafio reside em entender as práticas internas e suas relações com as estratégias da empresa. É preciso garantir um primeiro nível de maturidade que responda à algumas questões básicas como  “o que estamos fazendo?” e “onde queremos chegar?”.  Só a partir deste ponto é possível definir que conjunto de regras/normas atenderão à estratégia de forma mais eficiente.  Ou seja, o método nunca deve ser um fim, mas um meio que favoreça a melhor adaptação da empresa ao ambiente, balanceando produtividade, custos e qualidade.

E onde se enquadra o talento nesses então? As metodologias e o uso do talento individual não são excludentes. É preciso que a equipe tenha domínio sobre cada uma das áreas de um projeto, este é o espaço para o talento, o momento de fazer melhor, mais barato e com qualidade. Para um Gerente de Projetos, o talento está na escolha de ferramentas de apoio objetivas, na crítica e  na criação de processos enxutos e adequados à realidade da empresa e na condução da equipe rumo aos objetivos traçados. Fazendo mais uma referência ao texto, acredito que todos temos potencial para ser um “chef”, bastando apenas estarmos atentos ao ambiente e às demandas de nossas empresas.

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aprenda a ouvir de novo!!!

hearing_aid“É importante aprender a ouvir”, mais uma vez esta frase…  Minha avó já me dizia, meu pai me disse e agora eu a repito.  O difícil mesmo é colocá-la em prática, todos achamos que ouvimos bem. Porém, você só descobre que não sabe ouvir quando recebe um feedback de suas atitudes. Autoritário, arrogante, centralizador e por aí seguem os adjetivos acumulados ao longo de um projeto e da carreira.

Mesmo buscando a participação de todos, valorizando opiniões e tentando ser o mais democrático possível, às vezes não se atinge o objetivo de liderar uma equipe de forma motivadora. Os colaboradores vão executar suas atividades, o cronograma será cumprido, as metas de custo serão atingidas e a empresa ficará contente com os resultados. Mas sempre ficará a sensação de que faltou algo. A satisfação que se espera ver em uma equipe que acaba de entregar um projeto dá lugar à  mesma apatia com a qual o projeto se desenvolveu.  O que ocorre nestes casos?

A organização das atividades e o controle de sua execução não são as únicas prerrogativas de um gerente de projetos. É preciso lembrar que a relação colaborador-empresa é uma troca e portanto há expectativas que circulam nas duas direções. Quando o projeto é finalizado, as expectativas da empresa geralmente são atendidas. O gerente trabalha duro nesta direção, debruça-se sobre os planos e preocupa-se dia e noite buscando cumprir com o prometido. Porém, via de regra, acaba esquecendo de gerenciar as expectativas que circulam na outra direção.

Quando o projeto se encerra, a imagem do gerente fica preservada frente a empresa e talvez ele até receba um bônus pelo sucesso. Porém, quem fez o trabalho pode se sentir desvalorizado.  Como resultado, as críticas recairão sobre aquele que deveria ter sido o mediador de uma relação, mas que acabou privilegiando apenas um dos lados. Com certeza algumas críticas serão exageradas, outras justas, mas com certeza serão todas merecidas.

Não há nenhuma lição nova aqui, apenas um exercício  de atenção  que deve ser repetido todos os dias. Conversar de forma desarmada, com atenção, e buscando identificar  expectativas e problemas  tão logo se apresentem. Só assim é possível atuar rapidamente, atendendo às expectativas quando possível  ou readequando-as quando não puderem ser atendidas.  Lembre-se empre que o Gerente de Projetos é um negociador, cuidar de sua imagem é essencial para garantir a presença em projetos futuros e o apoio da equipe.

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certificação PMI

Outro dia me perguntaram sobre a real importância de uma certificação do PMI (project management institute). Se pararmos para pensar, em um primeiro momento a certificação pode parecer uma bela maneira do PMI  ganhar uns dólares. No entanto, existe seriedade no trabalho que é desenvolvido pelo instituto. Basta observar as inúmeras iniciativas no sentido de oferecer formação,  documentação e suporte aos profissionais de projetos ao redor do globo.

PMI LOGO

O processo de obtenção de certificados como o  PMP (project management professional) ou PgMP (program management professional) é bastante rigoroso, são provas extensas, abordando conteúdos de várias áreas de conhecimento no âmbito dos projetos e por vezes até mesmo fora dele; além de ser necessário possuir experiência em projetos. Não se pode negar que há um grande cuidado no processo todo de certificação, os testes realizados pela PROMETRIC são totalmente monitorados para que não haja tentativas de burlár-los.

É claro que existem falhas no processo, a comprovação da experiência não é obrigatória e eventualmente alguém pode cair na “malha fina” do PMI. Porém, na maioria das vezes o candidato recebe a liberação para o teste sem maiores percalços. É óbvio que esta seria uma violação do código de ética do instituto e o profissional estaria sujeito à revogação do certificado.

Nenhuma certificação, curso de MBA ou outro título é capaz de assegurar a qualidade de um profissional, isto depende da conjunção de esforço individual, auto-crítica e busca por aperfeicionamento. Por isso, do meu ponto de vista, o grande mérito que existe em uma certificação do PMI é a necessidade de atualização e aprimoramento constantes para manutenção do certificado. Isto faz com que os profissionais e toda a comunidade de gerenciamento de projetos sejam beneficiados pelo acréscimo contínuo de conhecimento e valor à nossa atividade.

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Inovação

inovacao

O discurso da Inovação veio para ficar. É cada vez mais comum vermos consultores das mais diversas áreas entoando o novo mantra. Fala-se sobre criatividade, sinergia, diversidade, comprometimento dos colaboradores e diversos outros temas. Nos apresentam a Inovação como um novo modus operandi das organizações, algo que se não for adotado nos levará à extinção. Na sociedade da informação o meio de produção e a força de trabalho se mesclam,  o homem finalmente é senhor de si, livre para negociar o valor e a forma de seus préstimos! será  mesmo?

As relações de poder foram alteradas, sem dúvidas, mas o  modelo de produção baseado em extração de valor ainda é o mesmo. A diferença é que quando se fala em inovação o fator multiplicativo é muito maior, quer seja pela apresentação de um novo produto ou serviço, quer seja pelo alto valor agregado percebido pelos clientes. Grandes lucros podem ser obtidos com pequenos investimentos.

Marxismos à parte, no modo capitalista de produção as empresas são voltadas à  geração de lucros. A competitividade acirrada  é a norma vigente. Neste contexto, as empresas melhor sucedidas são aquelas que conseguem extrair valor, seja de onde for, de uma forma altamente eficiente e eficaz.  São envolvidos colaboradores de todos os níveis e áreas, clientes, fornecedores, usuários… não importa! é preciso fomentar a criatividade, coletar e implementar idéias, gerar valor.

O discurso da inovação vem de encontro a essa necessidade frenética. Por meio da motivação, disponibilizando tempo e espaço, promovendo a diversidade e recompensando, é possível gerar idéias arrebatadoras, que podem projetar a empresa para outros patamares de lucratividade. Porém, na grande maioria das empresas, o elemento humano é relegado ao segundo plano logo após o fornecimento de suas idéias, é um modelo totalmente extrativista. A recompensa pode até vir em termos de reconhecimento, agradecimentos e projeção, mas dificilmente um funcionário gozará os frutos dos produtos e serviços gerados.

Para estas empresas, a implantação de “políticas de inovação”, além de não ser sustentável, pode ser extremamente perigosa. Nenhum colaborador se sente feliz ao ver suas idéias gerando lucros e méritos para outros e não para si. Como consequência, a perda de capital humano e intelectual é uma constante, que não será reduzida enquanto não houver o real comprometimento das empresas para com seus colaboradores. A contratação de novos funcionários parece vantajosa frente a divisão de lucros, afinal ninguém é insubstituível.  Porém, vivência, experiência e aprendizado são insubstituíveis, e a cada colaborador que uma empresa perde para o mercado,  mais e mais chances de inovar e crescer escoam pelo ralo.

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Redes Sociais

social-networkHoje criei minha conta no Twitter e este blog. As redes sociais são uma realidade irreversível. Vivemos uma interatividade sem precedentes, o espaço e o tempo foram finalmente dominados pela mente humana.

Nos relacionamos com pessoas espalhadas pelo globo, nos relacionamos com o passado e com o futuro da mesma forma. Vivemos o fenômeno do “presente perpétuo”, somos invadidos pela informação e realimentamos a grande nuvem informacional.

Ouço dizer que futuro sempre é condicionado pelo presente e é fascinante observar o processo simultâneo e paradoxal da ascenção e diluição do indivíduo na rede. Embora sejamos todos “mais um peixe”, nossas idéias ganham vida e velocidade próprias, passando por um processo de depuração e refinamento.

A rede somos nós, mas é para além de nós, é uma entidade geradora de inovações que se move e se transforma em uma velocidade vertiginosa. Neste blog, vou tentar deixar minhas impressões sobre este processo. Estando imerso, minhas opiniões com certeza se diluirão no tempo e espaço, mas farão parte de nosso eterno esforço no sentido de compreendermos nosso ambiente.

Um grande abraço!!!

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