
O discurso da Inovação veio para ficar. É cada vez mais comum vermos consultores das mais diversas áreas entoando o novo mantra. Fala-se sobre criatividade, sinergia, diversidade, comprometimento dos colaboradores e diversos outros temas. Nos apresentam a Inovação como um novo modus operandi das organizações, algo que se não for adotado nos levará à extinção. Na sociedade da informação o meio de produção e a força de trabalho se mesclam, o homem finalmente é senhor de si, livre para negociar o valor e a forma de seus préstimos! será mesmo?
As relações de poder foram alteradas, sem dúvidas, mas o modelo de produção baseado em extração de valor ainda é o mesmo. A diferença é que quando se fala em inovação o fator multiplicativo é muito maior, quer seja pela apresentação de um novo produto ou serviço, quer seja pelo alto valor agregado percebido pelos clientes. Grandes lucros podem ser obtidos com pequenos investimentos.
Marxismos à parte, no modo capitalista de produção as empresas são voltadas à geração de lucros. A competitividade acirrada é a norma vigente. Neste contexto, as empresas melhor sucedidas são aquelas que conseguem extrair valor, seja de onde for, de uma forma altamente eficiente e eficaz. São envolvidos colaboradores de todos os níveis e áreas, clientes, fornecedores, usuários… não importa! é preciso fomentar a criatividade, coletar e implementar idéias, gerar valor.
O discurso da inovação vem de encontro a essa necessidade frenética. Por meio da motivação, disponibilizando tempo e espaço, promovendo a diversidade e recompensando, é possível gerar idéias arrebatadoras, que podem projetar a empresa para outros patamares de lucratividade. Porém, na grande maioria das empresas, o elemento humano é relegado ao segundo plano logo após o fornecimento de suas idéias, é um modelo totalmente extrativista. A recompensa pode até vir em termos de reconhecimento, agradecimentos e projeção, mas dificilmente um funcionário gozará os frutos dos produtos e serviços gerados.
Para estas empresas, a implantação de “políticas de inovação”, além de não ser sustentável, pode ser extremamente perigosa. Nenhum colaborador se sente feliz ao ver suas idéias gerando lucros e méritos para outros e não para si. Como consequência, a perda de capital humano e intelectual é uma constante, que não será reduzida enquanto não houver o real comprometimento das empresas para com seus colaboradores. A contratação de novos funcionários parece vantajosa frente a divisão de lucros, afinal ninguém é insubstituível. Porém, vivência, experiência e aprendizado são insubstituíveis, e a cada colaborador que uma empresa perde para o mercado, mais e mais chances de inovar e crescer escoam pelo ralo.